ACHAMENTO DO BRASIL

CARTA DE PÊRO VAZ DE CAMINHA

 

Exposição "O Novo Mundo e a Palavra", no Castelo de Belmonte, até 26 de Outubro


A redação da Carta a El-Rei Dom Manoel sobre o Achamento do Brasil assinala um momento singular da História


Documento classificado inscrito pela UNESCO no Registo da Memória do Mundo, que nunca foi exposto ao público em Portugal fora da Torre do Tombo

A exposição pretende fazer um contraponto entre o carácter efabulatório e as incursões no Novo Mundo.


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O QUE VAI ENCONTRAR?

Ilustração do imaginário medieval e dos bestiários, em três planos sobrepostos, antecede, os
Folios da Carta de Pêro Vaz de Caminha privilegiando-se a descrição e a palavra em detrimento da imagem,
contextualizada por peças dos séculos XV e XVI cedidas por Museus Nacionais, a par de um tapete sonoro,
com a recriação do que é relatado na Carta, acompanha os visitantes da exposição e
define temporalmente o circuito da visita na Sala Pedro Álvares Cabral

A Carta do Achamento e a sua Cronologia

Terça-feira, 21 de Abril de 1500

“Sinais de terra. E assim seguimos nosso caminho por este mar de longo, (…) que topámos alguns sinais de terra, sendo da dita ilha, segundo os pilotos diziam, obra de 660 ou 670 léguas, os quais eram muita quantidade d’ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho e assim outras, a que também chamam rabo d’asno.”

Quarta-feira, 22 de Abril de 1500

“pela manhã, topámos aves, a que chamam fura-buchos. E neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra, isto é, primeiramente d’um grande monte, mui alto e redondo, e d’outras serras mais baixas a sul dele e de terra chã com grandes arvoredos, ao qual monte alto o capitão pôs nome o Monte Pascoal e à terra a Terra de Vera Cruz.”

Domingo, 26 de Abril de 1500

“Ao domingo de Pascoela, pela manhã, determinou o capitão d’ir ouvir missa e pregação naquele ilhéu. E mandou a todos os capitães que se corregessem nos batéis e fossem com ele; e assim foi feito. (…) Ali era com o capitão a bandeira de Cristo, com que saiu de Belém, a qual esteve sempre alta, à parte do Evangelho.”

A redação da Carta a El-Rei Dom Manuel sobre o Achamento do Brasil assinala um momento singular da História, enquanto texto e documento.

Não se trata de um relato de viagem, uma narrativa de um conjunto de peripécias com um fim e uma moral adjacentes, nem uma tentativa de exaltar os autores da gesta ou o seu suserano, nem ainda uma tentativa de relevar uma qualquer supremacia tecnológica ou racial.

O que se encontra neste documento burocrático e que se insere na tradição dos cronistas medievais portugueses é a descoberta do “outro”, que aqui transcende os cânones a que relatos de viagens, bestiários e outras efabulações habituaram os Europeus desde a decadência do Império Romano e da emergência das forças muçulmanas no Sul da Europa. Aliás, a descoberta de novos mundos pelos reinos cristãos peninsulares coincidem com o fim da presença muçulmana na Península e a derrota dos Nasrida de Granada, como se viessem na continuidade da Reconquista Cristã.

O documento de Pêro Vaz de Caminha não é também uma relação de bens a explorar ou de ativos a pilhar como o Domesday Book ou um levantamento de existência como o mais antigo Onomasticom. A Carta é um relato do encontro entre uma civilização em que o peso do material começa a sentir-se perante um mundo onde as pessoas vivem de uma forma despojada e em sociedades pouco hierarquizadas e próximas da Natureza.

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A Inauguração

26 de Abril 2016

O presidente da Câmara de Belmonte, António Dias Rocha e a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, na visita à Exposição "O Novo Mundo e a Palavra".

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